domingo, 28 de março de 2010

Desprezo.

   Diz para eu esquecer de tudo aquilo que passou.
Diz para eu lembrar que amor nem sempre é amor e sim encantamento.
Diz para eu voltar a ser eu com todos os defeitos que nunca me levam para uma paixão ou qualquer outra coisa com uma boa base ou tripé bem estabilizado. 
Diga. Diga mais uma vez; Para eu entender que não vai mesmo mudar nada o que você diz ou deixa de dizer. Diga. Para eu lembrar que eu sou mesmo a pessoa mais egoísta do mundo e que minhas crises são só culpa minha e de mais ninguém. Talvez assim você volte e enxergue a mulher descabelada, com maquiagem borrada de água salgada e com cara de louca que você deixou aqui sentada entre a cabeceira e a cama com lençol amarrotado; Talvez assim você enxergue o que sobrou de scarpins, maquiagens carregadas e um bom cabelo escovado. 
   Talvez volte, talvez não..
   Talvez enxergue, talvez não..
Continue desprezando, Vá. Continue. Deve ser por tal desprezo que gosto de você, porque se gostasse demais de mim, já não me encantaria mais. A gente só se encanta pelo difícil. O fácil já não tem mais graça. Seria como os outros, o resto. Muito amor, muito abraço, muito dengo, muito "eu te amo", muito. Muita coisa pra mim.
   Pode ser que se você voltar eu já nem te queira mais, porque de desprezo não terá mais nada e você vai ser igual aos outros 99% que a gente encontra todos os dias.
Maybe... 

Reflexão: "Aprende-se todos os dias que nada é como realmente se espera que será." 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Loucos ou sãos, bons ou maus, nobres ou vis?



Numa hora qualquer, de um dia qualquer, com uma pessoa qualquer, talvez.
Do que importa, afinal?


   Todos os dias às 5 da tarde, o alarme despertava e era a minha hora de escrever. Inventaram essa regra para mim, e quem disse que eu gostei? 
Pois é, tem gente aqui que acha que inspiração vem do vento, na hora que quiser;
As vezes me dá um estalo na nuca e eu corro e anoto em qualquer pedaço de papel até mesmo aqueles de pão o que está na minha cabeça, mas escondido, as pessoas de branco daqui não sabem como é ter um mundo próprio na cabeça, imaginações e vida imaginária, eles só sabem das regras. Malditas regras. 
   Tem uma menina aqui que vive com chiclete grudado no cabelo, tem outro que gosta de comer a meleca, uns que gostam de andar descalço ou um lado só do chinelo, tem meninas que gostam de bis derretido, umas que brincam de boneca, meninos que gostam de urinar debaixo das árvores do jardim ao norte da casa, eu gosto de escrever e tem os moços de branco; Todos da casa têm medo deles, andam com blusa comprida que são diferentes das nossas, seus cabelos são penteados diferentes dos nossos (...)
   Não me lembro muito bem de como vim parar aqui e como as coisas aconteceram, não lembro nem o que comi ontem então escrevo tudo para ficar menos louca. 
Me deixa melhor, ou menos pior. Só comecei a escrever depois de três meses aqui então só lembro de coisas que aconteceram de lá para cá, e a única coisa que lembro antes disso era que na escola todos não me entendiam muito bem, jogavam bolas de papel em mim e eu sempre me sentava num canto da sala para evitar me chacoalhar tanto na frente dos outros, ou será por que lá no cantinho da parede me sustentava melhor para eu tentar não tombar só de pensar nas coisas que haviam em minha mente. Não sei, não lembro..
E é triste ser assim, você querer e não poder. Ser e não ser, não saber. 
Esperando. Esperando, é.
   Qualquer pessoa vir te olhar e ter compaixão, te levar.. Porque louco não tem família, louco não tem amigo, louco não tem ninguém, louco só tem seu mundo na sua cabeça, louco é sozinho, louco não tem vida. Enquanto todos reclamam dela, tem alguém aqui que quer ter uma. Faça um sinal. Sinal de que você não está tão louco agora, que melhorou pelo menos um pouco depois de revezar esquerda e direita das nádegas todos os dias para a injeção matinal. Vá. Finja. Finja que está bem, que você é normal agora. Mas, mas, mas... Não tem como. Louco é louco desde criança, o desenvolvimento é que vem depois. Depois de todos começarem a falar que você age estranhamente incomum, depois de seus pais te julgarem, depois de te largarem aqui..onde tudo é branco e nada é igual a nada, e no fim é só nada mesmo. Você, sua cabeça e você mesmo. Nada.



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Who I am?

   Acordei um pouco estranha hoje.
Acordei cedo, porém. Botei o café preto e forte na xícara rosa e engoli sem pensar duas vezes; Perdi muito tempo escovando os dentes e achando qualquer roupa que preste.
Eram 7 da manhã de uma quinta chuvosa e fria, estava atrasada para variar um pouco. Peguei a estrada às 7:33 e por incrível que pareça hoje isso não faz a menor diferença pra mim.
   Me achava estranha porque não estava ligando para as coisas irritantes de todos os dias, como a mania que o meu cabelo tem de ir pro lado contrário ou aqueles dois imãs que insistem em não se juntar na geladeira.
Tentei parar de pensar em por que estava estranha e me concentrar na estrada molhada à minha frente, e quando fiz isso novamente me dispersei e comecei a olhar através das gotas d'água e não para elas, como de costume. E através das gotas imaginei coisas diferentes, coisas que podiam ser mas não eram; Via todas as coisas que eu sempre cismei ser, a boba perfeita que acha que dá conta de tudo e todos mas que na real não dá conta nem de si mesma.. As gotas ainda caíam e se arrastavam e eu comecei a pensar em sonhos e erros, besteiras nas quais nunca gostei de pensar, apenas pelo fato de serem besteiras e pessoas corretas não pensam nisso. Só pensam em planos que podem acontecer para sua vida ficar melhor, em cálculos exatamente perfeitos para uma vida básica e correta. Pensei nas mensagens subliminares desses pensamentos e vi que só estou querendo descobrir quem sou, ferindo e suturando minhas próprias feridas à sangue frio. E sabe o que mais? Eu gosto disso, gosto de as vezes ser estranha e as vezes ser correta, porque no final eu nem sei mesmo quem é quem ou o que é o que, e aí eu me descubro novamente.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Wonderland

  Hoje eu tô desse lado, mas nunca se sabe quando é que eu vou estar do lado de lá.
  Vendo tudo que se vê daqui de um jeito que se vê de lá, de outro ângulo.
  Às vezes eu sou egoísta sim, quase sempre para ser honesta.
  E as vezes eu até que consigo enxergar além do meu umbigo, mas é difícil, sendo honesta de novo.


   Aqui neste lugar onde nada é como as pessoas imaginam que seja, aqui é como eu quero que seja e isso me agrada mais do que qualquer coisa neste mundo.
Um mundo que não é meu, eu gosto mais do meu mundinho, mesmo que as vezes tenhamos que cair na real.. Mas como é bom sonhar um pouco. Sonhar que nem sempre é preciso ser responsável, nem exigir demais de si mesmo nos estudos, nem ser boa para agradar ninguém, nem ter que se montar bonita sempre. Eu gosto das coisas mais simples, do tipo que não se tenha tanta pressão das coisas da vida sobre mim, isso pode se chamar preguiça, relaxamento ou o meu habitual egoísmo de dividir o meu mundo com outras pessoas, eu não quero que ele vire o que este mundo é, ninguém leva ninguém a sério, não existem mais amigos neste mundo, sempre soube que seu melhor amigo é seu pai ou sua mãe, acredite nisso. Ninguém é realmente tão confiável quanto você pensa.
   Antes eu gostava de ler, na primeira série eu me achava demais porque sabia que lia bem e naquela época todos os meus "amiguinhos" tinham vergonha de ler para toda a turma e a professora sempre me chamava. Eu achava que todos queriam ler como eu lia, e para mim eu era feliz. Eu era apenas uma criança. Eu era feliz só por ler e isso não é bom? Hoje crianças são felizes porque conseguiram terminar uma fase do Playstation 3.
   No meu mundo as coisas são realmente diferentes, dá para acreditar no valor das coisas, coisas simples ou as mais complexas; Como tomar banho de mangueira ou resolver equações de matemática. Dá para acreditar que o amor e os amigos são verdadeiros.
Dá para acreditar que as coisas ainda são coloridas e não preto e branco. Dá até para imaginar como seria bom viver nesse mundo sem anseios, sem ter que engolir sapo todos os dias, ou acordar de madrugada para ver se tá pingando água da chuva no cantinho da janela.
   Nossa temperatura está descontrolada,
"Mais um temporal vai cair essa noite" é o que todos pensam quando dá mais ou menos 5 da tarde com um sol de dar câncer de pele só de sair de casa sem protetor 50 FPS. Dá mesmo para ser feliz neste mundo de gente criminosa, onde pessoas escondem dinheiro no soutien e na cueca quando saem do banco?
Onde as pessoas vivem com medo; medo de sair de sua própria casa ou até mesmo quando o bandido vai à domicilio? Dá mesmo para ser feliz neste mundo?
   É por isso que eu continuo aqui deitada na minha cama, sem nada melhor para fazer a não ser imaginar como seria o "meu mundinho".
Porque é nele que eu quero que meus filhos vivam e não neste mundo de canalhas e políticos corruptos.


  Pode parecer, isso sim egoísmo mas se você for parar para ler com olhos de gente inteligente e não  de gente banal, é bem bonito.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Sentada, parada, calada, olhando

   Com um sorriso fraco no canto dos lábios, covinhas na bochecha, brilho nos olhos e cheirinho de bebê que acabou de acordar..
A vontade que dava era botar qualquer roupa, descer e entrar na primeira cafeteria da minha esquina e pedir um expresso pra acordar.
A vontade que dava era que o tempo parasse só por alguns instantes, só pra não dizer que eu não tentei fazer alguma outra coisa além de te olhar. Sentada,parada, calada, olhando. A vontade que dava era ligar pra qualquer amiga pra me tirar de casa mesmo que agora seja seis da manhã.
A vontade que dava era ser um pouquinho menos preguiçosa e ir fazer qualquer exercício , só pra não dizer que sou sedentária e que meu sedentarismo gira em torno de você.
   Na verdade, dava qualquer vontade só pra não dizer que eu fiquei ali parada, olhando seu sorriso fraco no canto dos lábios e suas covinhas adoráveis enquanto sonhava por toda a noite..
Ali, sentada, parada, calada, olhando.. parada, calada, olhando, sentada.

   Só pra não dizer que fiquei ali porque sabia que quando desse oito você iria e não ligaria, só pra não dizer que fui egoísta o bastante e dormi enquanto meus últimos minutos passavam. Então deixa eu aproveitar minhas últimas duas horas, só pra não dizer que eu não fiz nada aqui sentada, parada, calada e olhando...

Nota mental.

   E parece que tem sempre alguém nos observando e desejando nosso mal. Como se as coisas ruins só acontecessem porque alguém quer, mas eu sei muito bem que isso é paranóia.
   Depois de tanta merda que já aconteceu, eu tô é procurando razões e motivos para que tentem me explicar por que as coisas ruins acontecem , acho que é porque eu já cansei de ir atrás das minhas próprias respostas para minhas próprias perguntas, parada esperando elas caírem do céu, virem com o vento até meu eu. Meu eu super babaca que ainda acredita que as coisas caem do céu e sem motivos para duvidar que a vida vem sem pena e se quiser tira tudo que se tem, sem ou com todos os motivos..
Isso tá mais é pra carta de psicanálise.


"Se quiseres poder suportar a vida, fique pronto para aceitar a morte."
Freud.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sujeiras, teorias e confissões.

"Eu tenho uma teoria que a gente nunca deixa de gostar de alguém
as pessoas só laceiam nosso coração para a gente poder gostar mais ainda da  próxima. Quando eu descobri me senti caindo..caindo e parecia que o chão nunca ia chegar" ele disse.


   Quando o ouvi dizer aquilo, me senti suja. Como eu podia ser um monstro tão insano? Como podia brincar com os sentimentos de uma pessoa tão boa e maravilhosa, gentil e que nunca faria mal para uma mosca?
Eu queria sair correndo dali, mas não conseguia mexer minhas pernas, elas tremiam.
   Meu coração batia forte, eu quase não respirava. A culpa me corroía por dentro como uma serra elétrica que ia cerrando osso por osso de minhas costelas. Queria abrir um buraco no chão e me enfiar lá, e a culpa aumentava.  Eu continuava sendo a pessoa horrível e egoísta de sempre, mas eu precisava dizer algo, assumir meu erro. Eu abria a boca e não saia nada, milhões de pensamentos num segundo mas nem uma palavra! E a única coisa que eu consegui dizer foi : Desculpe. E lágrimas caíram de meus olhos com a maior sinceridade, admito. E eu só consegui mexer minhas pernas para poder sair correndo dali depois de 10 minutos de silêncio. E então eu voltei para meu refúgio e fiquei ali com a minha culpa, era a única coisa que eu podia fazer.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Premeditação de consequências

   "Ninguém quer escutar suas meio-mentiras, nem suas falsas expectativas, teus falsos deslumbres e nem presenciar tua falta de caráter.
Ninguém quer estar a seu lado quando você diz que "precisa", nem acreditar nas suas desculpas esfarrapadas.
   Todos te excluem quando você faz de tudo para se inturmar, e não estão nem aí para os seus novamente falsos sentimentos de culpa.
Te tratam como maltrapilho quando você vem dizer que ama, e te dizem que não é certo fazer isso com as pessoas, mas você continua a fazer tudo igual, como se nunca tivesse ouvido nada parecido.
   Certas pessoas precisam viver no deserto para entender como são as coisas, precisam perder tudo para aprender a lidar com a vida.
   Não me sinto culpada por te dizer isso tudo, pois diferente de todos que te evitam quero seu bem, mais do que até mesmo você.
- Lágrimas caiam de seus olhos -
E não pense que me agrado por ter que eu mesma dizer todas essas verdades a você, um dos maiores motivos de eu estar aqui hoje é seu próprio bem estar, e eu não faria tudo isso se não te amasse tanto."


Só lembre-se que um dia, eu disse que tudo isso iria acontecer..

Elle..

   O que é que não me provoca a lembrança dele? Não posso lançar o olhar para essas lajes, sem que nelas veja suas feições desenhadas!
Em cada nuvem, em cada árvore, enchendo o ar da noite e visível de dia por passageiros instantes, em cada objeto, vivo cercada por sua imagem! Os rostos mais banais de homens e de mulheres, o meu próprio rosto, zombam de mim com a sua semelhança.
   O mundo inteiro é uma terrível coleção de testemunhos que me recordam que ele viveu e que eu o perdi.
Mas agora nada adianta viver como zumbi desejando ter dia como noite para que o tempo passe mais rápido.Nem as horas, nem o tempo, a vida não acelera por que eu quero, nem por motivos que desconheço..

(parte do texto adaptada de "O morro dos ventos uivantes")

Homem/Mulher - A ordem não altera o fator

   Eu o chamei, com minha voz rouca e delicada.. ele olhou com olhos esperançosos como criança em manhã de natal,esperava que eu dissesse algo fofo enquanto me sentava na cadeira do bar,mas eu não disse.
   Pedi whisky para mim e vinho para ele. Percebia que o garçom era mais gentil com ele e rapidamente afastou sua cadeira quando ele disse que iria ao toillet. 
   Ele me olhava com aquele olhar esperançoso durante todo o jantar e comia delicadamente e com muita elegância, tanta que nem dava para acompanhar, mas eu não estava preocupada com isso. Terminamos o jantar e o garçom botou a carteira longa e preta na direção dele e eu rapidamente peguei e botei o cartão por dentro, eu iria pagar.
   Gentilmente puxei sua cadeira e fomos para fora, o manobrista do restaurante esperava com a porta do carona aberta, que certamente seria a minha mas quem entrou foi ele, dirigi até a porta de sua casa. Eu somente o olhei e dei um beijo em sua testa e ele rapidamente saiu do carro e acenou. No outro dia de manhã eu liguei para ele e perguntei como seria seu final de semana. Ele disse que iria viajar, e quando perguntei com quem, ele somente disse: Aí você já está querendo saber demais!


E aí ele voltou a ser homem..