segunda-feira, 7 de junho de 2010

Paciente número 13 - Confissões para um relógio.

  Ele olha para mim, e eu olho para ele.
Ele me diz que não vai acelerar só porque eu quero.
Eu continuo a olhar e questionar por que demoras tanto?
Não tenho uma resposta. E nem mais um compasso de tempo. 
Silêncio absoluto. Nada. Agonia e mais um pouquinho de impaciência. 
  Me estico na cadeira. Uma senhora corcunda passa na segunda porta e me olha com cara de desprezo. Eu penso: Até a senhora? Mas não digo nada. Volto a olha-lo. Desta vez, encaro e faço minha melhor cara de brava. 
Ele não se intimida. 32 segundos passaram. Espero o alívio, mas ele não vem. Espero a calmaria, mas só escuto meu coração acelerar. Decido ir até a máquina de café. Expresso e Capuccino me olham e eu finjo que fiquei em dúvida para o tempo passar mais rápido. Escolho capuccino. Engulo sem pensar duas vezes e queimo a língua. 
  Ouço gritos da paciente do consultório do psiquiatra da sala 2 e penso se também vou passar por isso. Sei que não. Mas continuo a agir como louca. 
Volto para minha cadeira de espera e continuo a encarar o relógio e ele continua a não se intimidar. 5 minutos passam. 
  Meu olhar fixo se irrita, e num ápice de loucura levanto, fico de pé na cadeira e grito para o relógio: Passe mais rápido! Não aguento mais esperar sua boa vontade! 
Uma moça com feições calmas chega ao meu lado e diz para eu sentar e esperar mais um segundo. 
Uma porta se abre.
Eu ainda de pé sou flagrada pelo médico que diz: Paciente número 13. 
Rapidamente,penso - minha sentença já foi decretada. 3 anos no hospício do Rio de Janeiro. -

0 suspiros:

Postar um comentário