segunda-feira, 31 de maio de 2010

Burguês

      E o que se tem com todo esse desequilíbrio, com todos esses tropeços e mancadas, com todo esse canalhismo?
E andas por aí como se carregasse a minha cruz, como se a tua dignidade não fizesse falta e você nem fosse você mesmo. A verdade que te rondas não é mais aquela que me assusta. Nossos pés já se acostumaram com o asfalto quente da primeira avenida. Nosso estômago já se acostumou com o buraco que o perfura todos os dias.
      Tua impetuosidade é o que me assusta, mas você nem liga; Segue em frente e me apavora.
Você não é mais o burguês, você está aqui agora e não sabe mais viver, desaprendeu ou esqueceu. Vive o hoje como ontem e o amanhã como hoje. Então não venhas me dizer que és melhor do que alguém ou que cansou das minhas meias sujas e polidas e do meu mal humor matinal, porque você não é mais o herói problemático das minhas histórias de enfoque psicológico. Mas continue assim, enganar a si mesmo é muito melhor que enganar os outros, ou talvez toda a sua burguesia.

sábado, 22 de maio de 2010

Sob pena de ver seu mundo cair.

Se tens tudo que quer, falta algo.
Se o sujeito não tem nada, reclama.
Um folículo de felicidade para alguns é um balde para outros.
Igualdade não existe. O senhor do tempo não manda em nada. O amor não ama. O sujeito nota 10 vive atrás das escolhas certas, nada errado serve. Mal sabe ele que se não erras não aprendes, e então, não acertas.
     Enquanto o mundo se acaba em estrume, as pessoas continuam se achando donas dele. E o resto não importa, é resto. Mal sabem que sem pelo menos um pouco de humanismo não paramos em lugar nenhum, apenas em nossa própria cabeça, não saímos do nosso umbigo.
Queremos provar que não somos tão egoístas, enquanto só ligamos para saber o quão egoístas podemos ser.
     Cadê a falta de ar, a dor nos pulmões de tanto gritar para o vento e progredir nossos direitos?
     Cadê o gosto doce em proclamar AMOR de verdade à alguém?
     Cadê a verdade e os nossos princípios?
No meio de tanta falsidade e banalização, você continua sem escolhas, sem verdades, sem qualquer coisa, somente você e o que está disposto a fazer das coisas que eram verdade, mas que agora não passam de antiguidade.

As probabilidades nem sempre são as verdades.

   Cotovelos calejados do mármore sujo e que já tem a minha marca.
Lá em baixo a imensidão de pedra e concreto não sabe quantos já se machucaram. 
Janelas e grades que acham que seguram alguma coisa.
A bandeira negra que balança para onde o vento sopra me indica a direção a tomar. 
   E quanto a você? Olhe para os pedidos de desculpa, talvez encontre algum sentido que eu já cansei de procurar.
A velha senhora que equilibra as bolsas de mercado num pedacinho de calçada, não sabe de nada que você não saberia. 
O telhado que já não tem mais cor, não sabe por que mas ele vive descascando. 
O prédio que já não tem mais espaço para ser pixado, sabe menos que eu por que as pessoas não respeitam nada.
(...)
   Estão todos cansados de ser o que são. Todos querendo mudar, progredir; Ser algo que não são ou que nunca vão ser. 
   A queda pelo impossível chama atenção de si mesmo. Mas o que o impossível é? Um grande buraco que não tem fim, ou só a nossa imaginação?




A segunda opção me atrai mais. 

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Wishes or Choices?

   O que queres minha linda donzela?
Um pequeno café ou um pequeno cigarro; Ou o pequeno já não é o bastante para você?
   O que queres minha linda donzela?
Um grande comprimido para dormir ou um grande comprimido para dopar-te; Ou o grande já é demais para você?
Escolha, e eu lhe darei; Uma gota do meu amor ou minha enxurrada de sentimentos.
   Escolho a ti, meu bem para querer-te. Escolha-me também para que suas facetas se desfaçam e você viva apenas das verdades de minha vida. Venha para cá, pequeno ser do mundo encantado, venha para que eu possa experimentar cada pedaço de sua doçura e simplicidade.
Esperar-te não me cansa. Me humaniza.