quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Esperança

   Ela estava sentada bem ali no banquinho da esquina entre a padaria e a farmácia. Sentada ali, esperando que qualquer pessoa da correria do dia-a-dia parasse e perguntasse apenas se ela precissava de ajuda ou só alguém pra conversar sobre futilidade.
   Ela sabia que isso era a coisa mais impossível de acontecer, tentou desistir, mas sem saber por que, simplesmente porque uma força dentro dela mesmo a puxava continuou ali sentada como se nada tivesse acontecido em sua vidinha mais ou menos.
   Ela só queria alguém para ver o quanto ela mudou por ele, pra perceber que ela não era a mesma ou apenas para ver que seu cabelo mudou. Só queria alguém para ver tudo o que ele não via. Todos os dias, na mesma hora ela sentava em seu banquinho da esquina e esperava,mesmo sabendo que nada aconteceria ela cruzava suas perninhas magricelas e pensava: Até quando eu terei que esperar até alguém me notar?



"Na verdade não importa quanto tempo você espere. O que importa mesmo é quanto tempo sua esperança dura até acabar..será mesmo que ela acaba?"

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A letter of suicide

   Olá, pai. Hoje é dia 23 de Novembro de 2009.. espero que se lembre muito bem desta data.
Faz muito tempo desde que agente se viu, né!? Eu ainda era apenas uma criança com seus 4 anos, deve ser por isso que não me lembro tão bem de seu rosto. Afinal, você nunca mandou sequer uma carta, ou e-mail ou ligação; você nunca se preocupou por ter uma filha aqui que precisasse do seu carinho. Você apenas me rejeitou, dizendo que eu era mais do que você poderia aguentar, eu era um peso na sua consciência né pai!? Mas, eu realmente espero que ela esteja mais pesada agora, tão pesada que você não aguente e se afunde em um buraco, assim como eu vou fazer ao terminar esta carta.
   Mamãe morreu à um mês. Vovó à dois anos. Você morreu para mim à onze anos.. está na minha hora. A faca está afiada na cozinha, já são quase meia-noite, escolhi um bom horário, os vizinhos não vão escutar minha dor. Só eu, sozinha como sempre.
Mas.. pai, não serei mais o peso de suas costas, você poderá voltar para esta cidade que tanto gosta, não estarei mais aqui.. Nunca mais.

Adeus,pai.
"Espero que o som das gotas de sangue que cairão de meus pulsos no piso branco do banheiro, sejam a música dos seus ouvidos durante todos os dias de sua vida." Eu te amo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Era só uma pessoa. Uma pessoa no meio de tantas outras, um rosto desconhecido.Mas, por obra do destino ou mero acaso, aquela pessoa desconhecida começou a fazer parte do meu mundo, antes habitado apenas por rostos que eram só meus. Bastou 5 segundos e aquela face desconhecida passou a possuir total consideração minha. Bastou 5 minutos e ela começou a ter nome, sobrenome e um sorriso estampado no rosto. Agora ela estava morando na minha vida totalmente, por completo. Agora era ela que fazia minhas manhãs tediosas as melhores manhãs, como aquelas em que o sol brilha intensamente. Ela não precisava mais de um nome, apenas de um olhar. Ela guarda um pedaço de mim.


*Laísa Ponce para mim.