Acordei cedo, porém. Botei o café preto e forte na xícara rosa e engoli sem pensar duas vezes; Perdi muito tempo escovando os dentes e achando qualquer roupa que preste.
Eram 7 da manhã de uma quinta chuvosa e fria, estava atrasada para variar um pouco. Peguei a estrada às 7:33 e por incrível que pareça hoje isso não faz a menor diferença pra mim.
Me achava estranha porque não estava ligando para as coisas irritantes de todos os dias, como a mania que o meu cabelo tem de ir pro lado contrário ou aqueles dois imãs que insistem em não se juntar na geladeira.
Tentei parar de pensar em por que estava estranha e me concentrar na estrada molhada à minha frente, e quando fiz isso novamente me dispersei e comecei a olhar através das gotas d'água e não para elas, como de costume. E através das gotas imaginei coisas diferentes, coisas que podiam ser mas não eram; Via todas as coisas que eu sempre cismei ser, a boba perfeita que acha que dá conta de tudo e todos mas que na real não dá conta nem de si mesma.. As gotas ainda caíam e se arrastavam e eu comecei a pensar em sonhos e erros, besteiras nas quais nunca gostei de pensar, apenas pelo fato de serem besteiras e pessoas corretas não pensam nisso. Só pensam em planos que podem acontecer para sua vida ficar melhor, em cálculos exatamente perfeitos para uma vida básica e correta. Pensei nas mensagens subliminares desses pensamentos e vi que só estou querendo descobrir quem sou, ferindo e suturando minhas próprias feridas à sangue frio. E sabe o que mais? Eu gosto disso, gosto de as vezes ser estranha e as vezes ser correta, porque no final eu nem sei mesmo quem é quem ou o que é o que, e aí eu me descubro novamente.


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