sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Loucos ou sãos, bons ou maus, nobres ou vis?
Numa hora qualquer, de um dia qualquer, com uma pessoa qualquer, talvez.
Do que importa, afinal?
Todos os dias às 5 da tarde, o alarme despertava e era a minha hora de escrever. Inventaram essa regra para mim, e quem disse que eu gostei?
Pois é, tem gente aqui que acha que inspiração vem do vento, na hora que quiser;
As vezes me dá um estalo na nuca e eu corro e anoto em qualquer pedaço de papel até mesmo aqueles de pão o que está na minha cabeça, mas escondido, as pessoas de branco daqui não sabem como é ter um mundo próprio na cabeça, imaginações e vida imaginária, eles só sabem das regras. Malditas regras.
Tem uma menina aqui que vive com chiclete grudado no cabelo, tem outro que gosta de comer a meleca, uns que gostam de andar descalço ou um lado só do chinelo, tem meninas que gostam de bis derretido, umas que brincam de boneca, meninos que gostam de urinar debaixo das árvores do jardim ao norte da casa, eu gosto de escrever e tem os moços de branco; Todos da casa têm medo deles, andam com blusa comprida que são diferentes das nossas, seus cabelos são penteados diferentes dos nossos (...)
Não me lembro muito bem de como vim parar aqui e como as coisas aconteceram, não lembro nem o que comi ontem então escrevo tudo para ficar menos louca.
Me deixa melhor, ou menos pior. Só comecei a escrever depois de três meses aqui então só lembro de coisas que aconteceram de lá para cá, e a única coisa que lembro antes disso era que na escola todos não me entendiam muito bem, jogavam bolas de papel em mim e eu sempre me sentava num canto da sala para evitar me chacoalhar tanto na frente dos outros, ou será por que lá no cantinho da parede me sustentava melhor para eu tentar não tombar só de pensar nas coisas que haviam em minha mente. Não sei, não lembro..
E é triste ser assim, você querer e não poder. Ser e não ser, não saber.
Esperando. Esperando, é.
Qualquer pessoa vir te olhar e ter compaixão, te levar.. Porque louco não tem família, louco não tem amigo, louco não tem ninguém, louco só tem seu mundo na sua cabeça, louco é sozinho, louco não tem vida. Enquanto todos reclamam dela, tem alguém aqui que quer ter uma. Faça um sinal. Sinal de que você não está tão louco agora, que melhorou pelo menos um pouco depois de revezar esquerda e direita das nádegas todos os dias para a injeção matinal. Vá. Finja. Finja que está bem, que você é normal agora. Mas, mas, mas... Não tem como. Louco é louco desde criança, o desenvolvimento é que vem depois. Depois de todos começarem a falar que você age estranhamente incomum, depois de seus pais te julgarem, depois de te largarem aqui..onde tudo é branco e nada é igual a nada, e no fim é só nada mesmo. Você, sua cabeça e você mesmo. Nada.
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